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Habilidoso como jogador, Muricy é um técnico 'truculento'

Gazeta Press

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Publicação:

23/07/2010 13:54

 

Atualização:

23/07/2010 14:00

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Escolhido para ser o novo técnico da seleção brasileira, Muricy Ramalho ainda espera espera a rescisão com o Fluminense para ser oficializado como o substituto de Dunga no comando da seleção brasileira, que começa seu planejamento visando a Copa do Mundo de 2014. O treinador comandou o Tricolor carioca apenas 12 vezes e sairá da equipe faltando seis dias para completar três meses como treinador.

Ao contrário de Dunga, Muricy era habilidoso com a bola nos pés. Porém, como treinador, apesar do currículo invejável, seus times já foram alvo de críticas por serem previsíveis, pragmáticos e abusarem dos cruzamentos na área. Nas entrevistas, o técnico segue perfil parecido com Dunga: está sempre na defensiva, é mal-educaco e agressivo em suas respostas.

No projeto montado por Ricardo Teixeira de trabalhar com jovens jogadores, Muricy tem larga experiência ao conseguir firmar várias promessas ao longo de sua carreira (desde Marcinho Guerreiro, no Figueirense, até Hernanes, no São Paulo).

Muricy Ramalho tem 54 anos e era um meia-armador habilidoso, que se destacou com a camisa do São Paulo na década de 70. Porém, uma sequência de contusões fez com que o jogador tivesse que abandonar sua carreira com apenas 30 anos. Até os dias atuais ele reclama de dores no joelho.

Como treinador, sua carreira começou em 1993, no Puebla, do México, seu segundo e último time como jogador profissional. No ano seguinte, Muricy se mudou para o São Paulo, onde se transformou em auxiliar técnico de Telê Santana e chegou a treinar o time principal em algumas oportunidades, em uma equipe que ficou conhecida como "Expressinho Tricolor".

Sem Telê, Muricy não conseguiu se firmar como técnico no Morumbi e passou por Guarani, Shangai Shenhua (China), Ituano e Botafogo-SP, mas não obteve muito sucesso no final de década de 90. Em 2000, ele treinou o Santa Cruz e despertou o interesse do Náutico, para onde se mudou no ano seguinte.

No Timbu, Muricy Ramalho embalou na carreira de técnico e se tornou ídolo ao conquistar dois títulos do Campeonato Pernambucano seguidos, encerrando um jejum de 12 anos sem conquistas do Alvirrubro. No final de 2002, assumiu o Figueirense e conseguiu livrar a equipe da segunda divisão.

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Tamanha foi a reação da equipe catarinense que o técnico foi chamado para comandar o Internacional em 2003. No Colorado foi a grande projeção do treinador, que conseguiu firmar vários jovens jogadores, como Nilmar, Daniel Carvalho e Edinho, além de descobrir o volante Élder Granja como uma boa opção para lateral direita. Campeão gaúcho, o treinador pediu para sair da equipe alegando problemas particulares.

Logo no início de 2004, Muricy assumiu um São Caetano armado por Tite e conquistou o Campeonato Paulista pela primeira (e única) vez, em um time que contava com Marcelo Mattos, Mineiro e Marcinho. No final daquele ano, em setembro, o técnico voltaria para Porto Alegre, novamente para treinar o Inter.

Em sua segunda passagem pelo Colorado, em 2005, Muricy mesclou a experiência de Índio, Jorge Wagner e Clemer com a juventude de Alex, Rafael Sóbis, Wason Rentería e Márcio Mossoró, montando a base de um time que foi vice-campeão brasileiro (o treinador foi eleito o melhor da competição pela primeira vez, prêmio que ganharia outras três vezes) e que seria campeão da Libertadores e Mundial em 2006 (sob a batuta de Abel Braga).

Em 2006, Muricy Ramalho retornou ao São Paulo com a dura missão de substituir Paulo Autuori, então campeão do Mundo no clube. O técnico conseguiu levar a equipe de Cicinho, Lugano e Ricardo Oliveira para a final da Libertadores, mas sucumbiu para sua ex-equipe.

Foi então que iniciou seu projetou de reformulação do time. Contratou seu "pupilo" Jorge Wagner e o zagueiro André Dias, além dos jovens Ilsinho, Miranda e Alex Silva e conseguiu conquistar seu primeiro título brasileiro, mesmo sem contar com ídolos recentes do time, como Mineiro e Grafite.

Na temporada seguinte, Muricy Ramalho caiu nas oitavas de final da Libertadores, para o Grêmio. Assim seu nome passou a ser contestado pela diretoria do Tricolor. Só que a ascensão do jovem zagueiro Breno e o bom momento dos volante Hernanes e Richarlyson ajudaram o time a sofrer apenas 19 gols em 38 jogos, fato determinante para o time a ser bicampeão nacional.

Em 2008 a eliminação na Libertadores foi nas quartas de final, após dois jogos emocionantes para o Fluminense. Contudo, neste ano a pressão sobre o técnico foi maior, uma vez que o time havia contratado o Imperador Adriano, além do meia Carlos Alberto e o volante Fábio Santos.
Após superar um novo momento de turbulência, a equipe conseguiu eliminar 11 pontos de desvantagem que tinha para o Grêmio no final do primeiro turno e conseguiu conquistar o inédito tricampeonato brasileiro. Porém, esta equipe ficou marcada pelas diversas improvisações, com Zé Luís e Richarlyson atuando em quase todas as posições da defesa. O volante Jean substituiu Hernanes durante os Jogos Olímpicos e também conquistou um lugar na equipe.

Após se tornar uma máquina de conquistar títulos, Muricy Ramalho passou por um ano ruim em 2009. O São Paulo contratou Júnior César, Arouca, Washington, Wagner Diniz, Eduardo Costa e Renato Silva e novamente fracassou na Libertadores: outra vez para um brasileiro, o Cruzeiro, também nas quartas de final.

A pressão sobre o treinador se tornou insustentável, uma vez que ele não conseguiu lidar com a disputa interna entre Washington e Borges, além de abusar das improvisações, que fizeram o rendimento da equipe cair. Foi demitido no dia 19 de junho.

Durante o mês que ficou de férias, seu nome ventilou em vários clubes e após longa novela acertou com o Palmeiras, time do coração de seu pai e então líder do Campeonato Brasileiro. Mas o trabalho do técnico não encaixou. Derrotas e más atuações foram se acumulando e o Verdão sequer conseguiu uma vaga na Libertadores, apesar de ter o melhor jogador do torneio, Diego Souza.

No Campeonato Paulista, o Palmeiras contratou um jogador de confiança do técnico, o volante Edinho, mas os resultados não apareceram. Após perder por 4 a 1 para o São Caetano no dia 17 de fevereiro, Muricy Ramalho foi outra vez demitido.

Dois meses depois, o comandante foi anunciado pelo Fluminense. Em seus três primeiros jogos ele acumulou derrotas, mas na sequência embalou cinco vitórias em seis jogos e ajudou o time a alcançar nesta quinta-feira a primeira colocação do Campeonato Brasileiro.

Muricy Ramalho é um técnico que gosta de armar esquemas defensivos fortes e costuma montar seus times no esquema 3-5-2 (usado pelo Brasil apenas nas Copas do Mundo de 1990 e 2002). Objetividade fatal, quase sempre acompanhada de falta de criatividade também são marcas dos times do novo técnico da seleção.

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(1) comentário(s)

Autor:

marco aurelio degrazia barbosa


Estranho como a Globo já dava a noticia ontem ao meio-dia.. Esperem para ver, ele vai chutar logo o balde pois não tem perfil "calmo e acolhedor" para a imprensa Global. Dunga vai deixar saudade, se vai.

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