Com os olhos do mundo do futebol voltados para o Brasil - especialmente os da Fifa -, Brasília vai ganhando força na empreitada para receber o jogo de abertura da Copa do Mundo de 2014. A cidade já assinou o contrato com o consórcio que vai reformar o Mané Garrincha, saindo na frente da concorrência, e ainda vê São Paulo, uma das principais rivais nessa disputa, mergulhar em um impasse - as outras são Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
Coordenador do projeto de Brasília para a Copa, Sérgio Graça adota um discurso cada vez mais confiante em relação ao assunto. "A cidade está preparada. Já temos uma rede hoteleira boa, que ainda vai melhorar, e nem de chuva temos problema", argumentou. "O nosso projeto está sendo considerado o mais completo, foi elogiado pela Fifa. Iniciaremos as obras do estádio na semana que vem e atenderemos todas as exigências. Cabe à Fifa decidir", destacou.
Graça também falou sobre o legado que a cidade vai conquistar, pois, segundo ele, o governo federal investirá mais de R$ 1 bilhão na capital federal. "Já está sendo muito bom para a cidade, mas queremos que o Brasil e outras seleções de expressão joguem aqui. Vai ser fantástico para Brasília", afirmou. Ele garantiu, no entanto, que não existe preocupação em relação às rivais que pleiteiam a abertura. "Não entramos no jogo preocupados com os concorrentes."
O projeto do estádio candango, no entanto, ainda tem algumas pendências a serem resolvidas se o local for escolhido como palco da abertura do Mundial. Uma das exigências é que todos os lugares para torcedores tenham cobertura, coisa que o projeto atual não prevê. "As empresas que ganharam a licitação não possuem a tecnologia para fazer a cobertura, que tem de ser importada. Ficará mais barato o próprio GDF ir ao mercado e comprar a cobertura, se for necessário", minimizou Sérgio Graça.
Outras opções paulistasSem o Morumbi, a capital paulista tem como opções a Arena Palestra, estádio do Palmeiras que passa por reforma e deve ser entregue em 2012, e o Pacaembu. Porém as reformas do primeiro não preveem o mínimo de lugares para receber a abertura - a Fifa exige 70 mil, mas a capacidade será só de 45 mil - e a do segundo ficaria muito cara. A outra opção seria o Piritubão, mas o projeto dificilmente despertaria interesse do setor privado, o que invibializa a construção.
Impasse em São Paulo
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| Ricardo Teixeira (E), Alberto Goldman e Gilberto Kassab: discursos vagos |
São Paulo ainda não sabe em que estádio ocorrerão os jogos da Copa na cidade. Muito menos se terá um local apropriado para receber a disputada abertura do Mundial. A expectativa era de que a reunião entre o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, o governador de São Paulo, Alberto Goldman, e o prefeito da cidade, Gilberto Kassab, realizada ontem, resultasse no anúncio do palco. Mas depois de duas horas de reunião a portas fechadas, a dúvida continua, o que deixa a capital sob sério risco.
Os mandatários deixaram a sala de reuniões com um discurso vago. "Tivemos uma excelente conversa e saímos com o espírito de fazermos o máximo para que a abertura seja em São Paulo", afirmou Teixeira, dizendo que o assunto estádio não foi tratado. "Estamos em concordância no sentido de nos empenharmos para que se viabilize a abertura em São Paulo. Não colocamos alternativas de estádio na mesa. Vamos estudar as opções nas próximas semanas", informou o governador.
Com o Morumbi vetado, a alternativa seria a ampliação dos estádios existentes ou a construção de um novo, o que exigiria grandes recursos financeiros. Porém Kassab enfatiza a todo momento que São Paulo não terá um estádio com dinheiro público. "Nós vamos dar toda a atenção para a infraestrutura, mas não ao estádio", avisa. "Para a abertura, nesse momento, temos três candidatas e uma incógnita. O Rio fica meio de lado, pois já tem o encerramento. Brasília e Belo Horizonte têm estádios aprovados para a abertura e grandes chances, com certeza. E São Paulo é essa incógnita."
Descartado
Eleito o palco de São Paulo para 2014, o estádio do tricolor paulista encontrou dificuldades para atender as exigências da Fifa. Depois de muita discussão, a entidade aprovou o quinto projeto enviado pelo Comitê Paulista, orçado em R$ 630 milhões, e pediu garantias financeiras. Mas o comitê local não encontrou parceiros para investir e elaborou um projeto mais modesto, de R$ 250 milhões, que a CBF nem considerou, excluindo o Morumbi do Mundial.