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Basqueta

É muita bandeja

Quantidade de pontos marcados por Kobe Bryant impressiona quem sonha em um dia chegar na NBA

Marcel Tito - Diario de Pernambuco

Publicação:

09/02/2012 09:36

 

Atualização:

09/02/2012 09:47

AFP
Na lista dos 5 maiores pontuadores da NBA, Kobe ultrapassou o pivô Shaquille O'Neal
O treino é de bandeja, a finalização mais básica do basquete. A proposta é direta aos 12 alunos da escolinha: “Dá para fazer 14.300 bandejas?”. Entre os sussurros de “é muito” e “nem a pau”, uma resposta convicta. “Se for durante a vida toda, dá!”. Kobe Bryant, 1,98m, precisou de menos: 15 anos. Na última segunda-feira, o astro atingiu a marca de 28.601 pontos. O correspondente à soma das bandejas acima mais um lance livre - para fechar a conta. Tornou-se assim o quinto maior pontuador da história da liga norte-americana de basquete, a NBA.

Maior jogador de basquete em atividade, Kobe tem lugar num hall de ídolos quase todo ocupado por astros do futebol. Lucas Martins de Barros Melo, 15 anos, é um dos fãs do norte-americano. Vestia a camisa do astro do Lakers durante o treino no Náutico, ontem. Admira Kobe, em especial os seus arremessos de longa distância. É dedicado ao esporte - pratica quatro vezes por semana - e pensa um dia chegar à NBB, a liga nacional de basquete. Mas não pensa em alcançar o patamar do ídolo um dia. Na verdade, não é tanto um querer. “Igual a ele? Oxe, dá não. O homem é um gênio. Chegasse nos pés dele já estava satisfeito.”

MARCEL TITO/DP/D.A PRESS
Lucas é fã dos arremessos de longa distância de Kobe
A quantidade de pontos e a genialidade de Kobe Bryant impressionam não somente quem é aluno. “Esses caras são anomalias, são extraterrestres. Ele, Michael Jordan, são atletas puro sangue, é o puro jogador de basquete. Tanto que numa história de 100 anos ele está se tornando o quinto maior pontuador”, destacou Rildo Accioly, treinador no Sport, Maurício de Nassau, e dos colégios Atual e Dom. “Ele conseguiu alcançar essa marca num tempo em que a marcação é mais forte, a condição física dos atletas é melhor”, acrescenta Rildo.

Chega?

A pergunta era retórica. E obteve a reação desejada. Questionado se chegou a marcar tantos pontos em toda a sua carreira nas quadras pernambucanas, Rildo negou com uma risada. “Sem chance. Primeiro porque eram menos jogos. Depois e, principalmente, porque, como falei, esses caras são de outro mundo. São mais do que diferenciados”, destacou. Para alcançar, só utilizando uma conta semelhante à de Túlio Maravilha em busca do gol mil. “Contando as cestas dos treinos, dá. É muito tempo nas quadras”, brincou Rildo, 50 anos.

Resposta semelhante deu Zenilson Serrano, o Neném, 44 anos, que comanda as escolinhas no Náutico. Com 37 anos dedicados à bola laranja, ele acredita ter chegado perto da atual marca de Kobe Bryant. “Joguei basquete do mirim até o adulto. Contando as cestas marcadas nos treinos, amistosos e jogos acho que dá para chegar.”

Em quadra

Kobe Bryant entrou na lista dos 5 maiores pontuadores da NBA na partida contra o Philadelphia 76ers, na última segunda-feira, mas não impediu a derrota da sua equipe por 95 a 90. Hoje ele espera ajudar o Lakers a se recuperar no duelo com o rival Boston Celtics. O jogo começa às 21h (horário do Recife).

Os arremessos de Kobe

28.601 pontos equivalem a 14.300 bandejas + 1 lance livre ou 9.533 cestas de três pontos +1 bandeja

Pontos por temporada

Temporada    Pontos
1996/1997    539
1997/1998    1.220
1998/1999    996
1999/2000    1.485
2000/2001    1.938
2001/2002    2.019
2002/2003    2.461
2003/2004    1.557

Temporada    Pontos
2004/2005    1.819
2005/2006    2.832
2006/2007    2.430
2007/2008    2.323
2008/2009    2.201   
2009/2010    1.970
2010/2011    2.078
2011/2012    733

2.832 pontos, recorde de Bryant em uma temporada (2005/2006)
1.857 média de pontos por temporada

Os maiores pontuadores da NBA

Kareen Abdul-Jabbar
38.387 pontos
Dificilmente a NBA verá alguém ultrapassar a impressionante marca do ex-pivô dos Lakers. O carequinha de 2,18m, que jogava com um par de óculos esquisito e as tradicionais bermudas curtas dos anos 1970, era um monstro na quadra. Passou 20 anos na liga norte-americana, entrou em quadra mais de 1.500 vezes, atuou por mais de 57 mil minutos e conquistou todos os prêmios possíveis para um jogador de basquete. Foram seis títulos, seis prêmios como MVP (jogador mais valioso) e um lugar mais do que merecido no Hall da Fama do esporte.

Karl Malone
36.298 pontos
A impressionante força física aliada à técnica - e com uma ajudinha de um certo armador chamado John Stockton - levaram o ala-pivô do Utah Jazz à impressionante marca. Malone e Stockton formaram uma das duplas mais lembradas e afinadas já vistas nas quadras. É impossível falar de um sem se lembrar do outro. Melhor para o ala-pivô, que teve a companhia e os passes do companhero durante os 18 anos na NBA e aproveitou cada segundo da parceria. Só faltou um título. Para o azar deles, havia um certo Chicago Bulls de Michael Jordan na mesma época.

Michel Jordan
32.292 pontos
Por alguns fatores como aposentadorias e lesões, Michael Jordan não ultrapassou Karl Malone e Kareen Abdul-Jabbar. Jordan atuou em “apenas” 15 temporadas, sendo que em duas delas entrou em quadra em menos de 20 partidas. O rei do basquete ultrapassaria os dois primeiros da lista com tranqulidade se não tivesse largado o esporte em 1993 - para retornar em 1994 - e em 1998 - para voltar mais uma vez em 2001. Com seu estilo único, aliando a incrível capacidade de saltar à técnica, Jordan foi o mais completo de todos os tempos.

Wilt Chamberlain
31.419 pontos
Chamberlain foi o primeiro grande pivô da NBA, em todos os sentidos. Com 2,16m e mais de 120 kg, dominou a Liga graças à sua surreal força física. À época, ele era um gigante perto dos rivais e soube aproveitar como ninguém o que a genética lhe deu. Faturou dois títulos da NBA, foi eleito quatro vezes MVP e ainda liderou a liga em pontuação por sete temporadas. Chamberlain também ficou conhecido por ter integrado o Harlem Globetrotters em 1959. Além dos pontos, era um monstro nos rebotes e fechou a sua carreira com uma média de 22,9 por partida.

Kobe Bryant
28.601 pontos
Aos 32 anos, Kobe é o mais bem colocado na lista ainda em atividade. Acabou de deixar o pivô Shaquille O’Neal (28.596 pontos) para trás e deve ter, pelo menos, mais três anos de atividade pela frente. Se mantiver o ritmo de aproximadamente dois mil pontos por temporada, tem tudo para ultrapassar Michael Jordan e se tornar o terceiro maior cestinha da história. Muitos comparam o ala dos Lakers a Jordan pelo estilo de jogo plástico e muito técnico. Ultrapassar o rei em número de pontos certamente ajudaria Kobe a ser equiparado ao melhor de todos os tempos.

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